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Era uma vez...e foram felizes para sempre!

No fundo todos gostamos de romances e finais felizes! Aqui ficam pequenas partilhas das emoções que vivemos até ao momento do beijo que nos desperta!

Era uma vez...e foram felizes para sempre!

No fundo todos gostamos de romances e finais felizes! Aqui ficam pequenas partilhas das emoções que vivemos até ao momento do beijo que nos desperta!

A carta

Seria uma manhã igual a todas as outras, não fosse aquele envelope, que o tempo pintou de amarelo, se ter amarinhado nos seus pés.

Apanhou-o do chão em quanto olhava em volta na tentativa de reconhecer a procura do seu dono no meio da multidão que ali passava.

 

Não resistiu e abriu-o.

 

“Minha amada, conto os minutos até ao nosso reencontro, até o teu sol voltar a iluminar a minha vida...” Este era o início de 5 folhas.

 

Olhou para o relógio e para não variar estava atrasada mas mesmo assim não resistiu em continuar. “aqui os dias são intermináveis sem a tua presença...”

 

Nunca ninguém lhe tinha escrito ou dito tamanha declaração de amor. Num rompante escondeu o molho de papéis na mala. Voltou a olhar em sua volta mas desta vez com a esperança de não encontrar o verdadeiro destinatário.

 

Aquelas palavras agora eram só suas. “Musa do meu coração as flores invejam o teu perfume...”.

 

No meio de tantas passadas, era nas suas que ele tinha de vir parar!

 

Foi desfiando todo aquele amor ao longo do dia numa sofreguidão como se não houvesse amanhã.

 

“Minha amada, meu amor...” , “ ...o brilho dos teus olhos é mais reluzente que as estrelas...”, “...se ao menos estivesses aqui...”

 

E assim foi, dia após dia...

 

E lia... E relia... Todas as noites...

 

Na realidade não sabia de quem era aquela letra, nem à quanto tempo fora escrita, muito menos para quem se destinava mas era lhe impossível não se sentir amada em cada linha que lia.

 

Pensava nos homens que já tinham passado na sua vida e em como nenhum se comparava com este. Era como se tivesse encontrado o amor da sua vida e este lhe estivesse a sussurrar juras de amor ao ouvido.

 

E estas seriam eternas.

E agora?

Achava que a vida que não existia sem ti...
 
A sério que achava, não te rias!
 
Como é que alguma vez o mundo podia continuar a girar se tu não te sentasses todos os dias nesta mesa? Se não tu não chegasses todos os dias a casa e lançasses um sonoro:“Cheguei”.
 
E era assim... tão certo como pão para a boca!
Como é que não sentes falta dos nossos abraços? Ninguém, absolutamente ninguém dá abraços como nós! Podes procurar por onde quiseres.
 
Quando nos segurávamos nos braços, tornavamo-nos num. Um único rosto, um único corpo, um único cheiro!

Lembraste do quase desespero que sentíamos na urgência de nos vermos?
O mundo só fazia sentido, depois de um amo-te teu sussurrado ao meu ouvido. As manhãs eram perfeitas só por poder ficar a olhar para ti a dormir...
 
Eu sei que quando te foste embora, disse para nunca mais voltares, que ficava melhor sem ti, que não prestas. Disse-o com toda a força que uma mentira pode conter.
 
E agora o que é que eu faço ao meu amor, não me dizes???
 
Volta! Ouviste? Volta!
 
Eu sei que às vezes sou histérica e prometo que me vou controlar. Desta vez é a sério.
Quero te tanto!
Vamos tentar outra vez, sim?
 
Qual é o sentido de esticar o pé à procura da tua perna e só encontrar o frio da cama?
O mundo não pode parar de girar..
 
Pelo sim , pelo não hoje vou por dois pratos na mesa...

O ínício

Assim que o pé tocou no primeiro degrau da imensa escadaria, o coração disparou. 
Como nunca tinha disparado. 
Como se quisesse bater fora do peito e tivesse vida própria.
 
Não tinha dúvidas, pelo contrário, a certeza de que este homem era o seu homem, é que tornava este momento o mais importante da sua vida em cada degrau subido.
Deu por si com uma vontada esbaforida de viver toda a vida que tinha pela frente.Agora. Ali. Sem esperar nem mais um minuto.
Mais um degrau. E ainda estava tudo tão longe. Como é que ia aguentar sem desatar a correr?
 
E outro... e outro..e outro mais...
 
E lá estava... Ele, o homem,o seu homem, de postura elegante mas firme de quem veio para ficar.
Parou na entrada da porta e o coração voltou ao seu peito. Mesmo a Igreja estando cheia com as centenas de presenças que anteriormente eram imprescindíveis, naquele instante era só ela e aqueles olhos de avelã que afixaram e conduziam.
A loucura da chegada deu lugar a uma paz súbita, sabia que ali começava tudo o que de fantástico iriam acontecer na sua vida e queria desfrutar ao segundo e manter cada gesto e sensação na memória para que um dia pudesse contar ao seus netos, timtim por timtim como foi o dia mais feliz da sua vida.

Enquanto o caminho até ao altar encurtava, a garantia do viveram felizes para sempre aumentava.
 
Chegara finalmente! Pareciam que tinham passado horas desde que o pé tinha tocado no primeiro degrau.

Lado a lado, como os bonecos que tinham escolhido para o bolo... Mas aqui era real, bem real....
Foram precisos 3 anos desde o dia em que se conheceram até ao grande momento.
Na verdade já se tinham cruzado várias vezes antes do primeiro olá. No meio do rebuliço do metro à hora de ponta, já sabiam que o primeiro que chegasse ficaria à espera junto à 2º carruagem mesmo sem nunca o terem combinado. Aqueles 7 min de viagem antes da paragem dela enchiam o dia de ambos.
 
Obra do acaso ou destino marcado, viram-se obrigados em dia de greve a fazer o caminho, pé ante pé. Nunca mais se largaram.
Estava farto que lhe perguntassem se estava nervoso!
 
Por que raio haveria de estar nervoso, ia casar porque queria, porque acreditava que ela era sua companheira, ninguém o obrigara.

A mãe já tinha vindo a arranjar o nó da gravata para lá de muitas vezes mesmo com ele dizendo que estava tudo bem enquanto se ria do estado de ansiedade da senhora.
 
Vieram avisá-lo que tinha de entar, ela estava a chegar e se havia recomendações que ele tinha de seguir à risca, não ver a noiva antes de ela chegar à porta da igreja era garantidamente uma delas.
 
Pôs-se a postos na calma que já lhe era conhecida. Ouviu por entre sussurros “ já está a subir os degraus”.
Continuava seguro de si e sem tremer os joelhos, conheciam-se bem, sabia bem que a amava como nunca tinha amado nenhuma outra e que ela tinha em si o homem da sua vida.
 
Olhou para o nó da gravata e ajeitou-a.
E ali estava ela... A sua mulher amada.
 
Deixou de se reconhecer...Calma, calma, repetia vezes sem conta na sua cabeça. Não percebia o que é que se estava a passar, de repente a igreja pareceu imensa. Apeteceu-lhe gritar:Corre!!! Anda!!! Estou à tua espera!!!
Sentia-se dentro de um filme mudo, sabia que alguma coisa estava a tocar e que as pessoas estavam em burburinho mas não conseguia ouvir nada. A não ser os seus passos suaves cada vez mais perto e a batida do seu próprio coração.
 

 

Ver os seus olhos negros brilharem ali ao seu lado, trouxe-o de volta. Estava ali para ficar.